“My grand theme—who is human and who only appears (masquerades) as human?”
—Philip K. Dick
sobre ficção e realidade:
na cena de Roy Batty e Eldon Tyrrel, o replicante indaga ao criador sobre o tempo que falta: morfologia, tempo de incubação.
os organismos cibernéticos criados pela Tyrell Corporation para trabalhar como escravos ganharam memórias para transformá-los em humanos funcionais.
e um dispositivo de controle de duração da consciência na forma de um vírus que replica o RNA para que o sistema morra.
a consciência do “penso, logo existo” dos replicantes não basta, é preciso ter novas experiências de vida.
as memórias implantadas são inventadas por uma corporação para que o escravo (modelo militar, modelo sexual, modelo mão-de-obra), tenha uma base humana para relacionar as informações que recebe com alguma emoção que faz concatenar o sentido da existência.
o teste Voight-Kampff no começo do filme Blade Runner é saiu da ficção do livro de Philip K. Dick e é usado hoje de verdade em sistemas de inteligência artificial para testar se a máquina tem consciência que é artificial.
“cogito, ergo sum”
neste filme assim como em Metropolis, 2001, Matrix, Gattaca, IA e até o I, Robot o capitalismo impõe condições de existência ao indivíduo. até em Vingadores o titã Thanos promove a necropolítica.
a questão colocada hoje é: qual a memória oficial de tudo que está acontecendo agora que vamos ter coletivamente daqui para frente.
o capital, como aparece em Cosmopolis de Cronenberg, é o tempo. o “asset” como diria político empreendedor coach. o tempo de vida e a morte que nos chega replicante:
o que a gente vai fazer com a memória é a indagação. a realidade está transbordando de imagens e chega ao limite da ficção.
o tempo capitalista chegou ao fim ou é só o começo de uma nova forma de extinguir fronteiras dos lugares inventados sob a jurisprudência de novas corporações e controle dos indivíduos através da invenção de memórias e restrição ao acesso de informações.