não por acaso, a primeira área a ser cortada por governos fascistas é da cultura. ou se corta ou se faz de conta que mantém.

no audiovisual vale uma reflexão histórica; no nazismo alemão, a cineasta Leni Riefenstahl (autora de Olympia e o Triunfo da Vontade) fundamentou a “propaganda”.
se antes o objeto da propaganda era o Estado, hoje é a pessoa mesmo que se coloca como objeto de mercadoria pela sua auto imagem.
governos baseados no imaginário nazista como os de Santa Catarina e de Florianópolis, encontram na cultura o local perfeito para suas experiências de espetáculos.
a própria Leni afirmou após a segunda guerra que no ponto de vista do nacionalismo de Hitler, era importante acabar com a vida cultural daquele momento.
Guimarães Rosa viveu neste momento em Berlim, e suas cartas retratam um modo de vida avançado culturalmente, pipocando artistas e novos movimentos.
notadamente a vida na Alemanha estava moderníssima, e com o protagonismo de mulheres em diversas áreas de artes e ciências.
Riefenstahl classificou o movimento artístico da época como “degenerado”, movimento que era caracterizado pela República de Weimar, a Bauhaus, o dadaísmo, em sintonia com artistas de outros países.
(sobre a vida de Guimarães Rosa na Alemanha pré nazista, o doc “Outro Sertão” de Soraia Vilela e Adriana Jacobsen é espetacular).
aqui em SC um governador escreveu um artigo sobre “DNA Espartano” defendendo a eugenia como inovação científica para “não nascer retardado” (SIC).
interessante a aproximação entre “arte degenerada” de Riefenstahl e do governador catarinense ao defender a eliminação da diversidade.
no campo de incentivo público, eventos de orquestra e palco de música recebem muita verba por aqui, direta.
já as artes audiovisuais, o teatro, a literatura, todas que são autorais, ou de educação, ou de salvaguarda da memória, deve-se competir com o colega para entrar numa plataforma bizarra.
são centenas de casos de exclusão de projetos.
a propaganda da auto imagem hoje, em vez do “Triunfo da Vontade” de Hitler/Goebbels, é o Tik Tok do prefeito Topázio.
o prefeito de Florianópolis e o governador de SC são frontalmente contra pessoas e artistas trabalharem com apoio constante de verbas públicas (como tem em espetáculos) as suas auto imagem.
a auto imagem das pessoas das periferias é o maior problema para governos arbitrários. porque assim que assumirem os meios de produção e os postos de decisões para onde vão as verbas, a propaganda de governo acaba.
espetáculo e mercado são compatíveis, e dá para investir pesado em escala industrial sem saturar tanto a meta financeira de retorno, quanto de não financeira, de registro e expressão artística autoral, que estão mais para o campo da educação e da história.
por isso se quer tanto mudar a pedagogia das escolas e oferecer cada vez menos incentivo à produção artística; o espetáculo tem que ser visível.
e o audiovisual é o tik tok do prefeito fazendo gracinha, claque para o povo que ignora a base da propaganda por trás da informalidade.
não é só pós-verdade e anti política que vivemos.
nós da cultura do campo autoral e das periferias somos exceção do incentivo de verba pública.