se apropriar do trabalho dos outros é plágio? e se for inspiração? a questão de direitos autorais é complexa.

a foto de prince apropriada por warhol virou obra de arte. mas o fotógrafo até hoje quer seus direitos de autor da foto.
nos filmes de tarantino raramente uma cena é original. só que é tratado como homenagem a filmes blaxploitation e de kung-fu.
o doc rip! remix manifesto de 2008 mostra o dj girl talk numa epopéia contra gravadoras que detém os direitos das músicas dos rolling stones.
o dj foi condenado por remixar trechos que na verdade foram gravadas pelos stones sobre criações de blues raiz de autores negros.
rolling stones nunca pagou royalties aos blues men, mas a gravadora tentou processar girl talk.
guy debord, o cara que falava sobre a sociedade do espetáculo fez nos anos 1960 uma parada chamada dètournement com dicas de como subverter um filme ou uma publicidade.
a ideia era de desviar o sentido original. como pegar o filme seminal dos eua “nascimento de uma nação” de d.w. griffith e mudar a trilha sonora para canções da ku klux klan.
o desvio era crítica a um capitalismo tardio.
hoje, a imagem que publicamos nas redes sociaus, dos nossos filhos e passeios de fim de semana, já não são mais nossas.
toda imagem que deixamos no instagram e no facebook são de propriedade do instagram e do facebook.
e talvez um dia se a gente ver uma imagem gerada por inteligência artifical se parecer com nosso filho, é porque as redes sociais alimentaram a inteligência.
acho que a ideia de “replicante” de philip k. dick (tipo no filme blade runner), é mais parecida com redes sociais do que com robôs de forma humanda.
o conceito de “meme” que era pra designar uma unidade mínima de memória (como “gene” é de dna), virou com as redes sociais de internet o próprio fluxo em si de comunicação.
assim como o cinema de animação e com efeitos especiais e trilha sonora rapidamente já são feitos com mesma qualidade da disney com inteligência artificial.
aí o que vai restar é o trabalho artesanal.