a Substância @trythesubstance filme de horror que tá no imaginário, tem questões interessantes.

a repetição didática do estilo sobre o conteúdo, e do conteúdo sobre a trama, é estrutura mesmo da narrativa.
é repetido e reiterado como funciona a manutenção do seu duplo.
porque a fonte de inspiração do filme é obviamente o cinema americano, especialmente kubrick.
em oposição a um cinema que propõe um ambiente verossímil da vida urbana, a roteirista e diretora delimita o mundo interno da Substância em circuito fechado.
não existe embate social de classes, existe a repetição do pressuposto, o machismo da estrutura. e fundada nessa estrutura a repetição é como metáfora do tema.
essa escolha brilhante eleva a percepção do filme a uma ambiência quase lírica, a despeito do drama acontecer provavelmente apenas no mundo interno da personagem.
pode ter sido tudo um delírio, um mundo “reductio ad absurdum” no qual monstros existem no duplo entre ambição e poder.
outro filme recente que tem o protagonista na ambivalência de seu duplo é “the trial/ a armadilha” de m. night. shyamalam, que foi direto para streaming.
na Substância é espelho de kubrick, e na Armadilha de hitchcock.
e o mesmo mundo que não existe luta de classes, apenas situações um tanto inverídicas de relação entre pessoas do espaço urbano, o monstro já é dado desde a primeira parte do filme.
o absurdo da Substância teria um mundo mais interessante se fosse mais para um lado Delicatessen de jeunet e caro do que pra estrada perdida de david lynch.
mas depois da sessão até que as pontas soltas viraram uma boa metáfora do espetáculo, do sangue jorrado exagerado.
shyamalam faz na Armadilha no entanto um jogo de espelhos entre bastidores e a coxia do espetáculo uma metáfora muito boa da esquizofrenia norte-americana. sessão dupla com diversão garantida.