Blog · 13 de dezembro de 2024

C’est Pas Moi é Documentário de Ficção

achei “c’est pas moi”, curta-metragem-labirinto de leos carax, um dos melhores filmes de 2024.

“os amantes da ponte neuf”, 1991, dirigido com 24 anos (valeu Calebe!) é impressionante a concisão num filme musical

(aburdamente milhões de vezes mais interessante que joker folie à deux).

entre curtas e clipes do new order, o próximo longa “pola x”, 1999 (adaptado de conto de herman melville) transborda o delírio e a fluidez entre atalhos, e atravessamentos pela paisagem.

que em “holy motors”, 2012, os labirintos entre o grotesco e o sublime atravessam a tela: o personagem do ator denis lavant seria um ator underground, em algum momento dançando com uma roupa de vetorização de imagem em CGI.

esse atravessamento de tela chega em “anette” longa de 2021 que coloca marion cottilard como uma cantora lírica com adam driver como um comediante de stand-up.

a cantora lírica morre todos os dias, e consegue renascer com os aplausos da plateia, quase como eurípedes e orfeu que cacá diegues filmou em 1987.

no curta-metragem “c’est pas moi” as imagens em choque revelam uma compreensão do mundo pela montagem, evocando o “imagem-palavra” de godard.

acho que desde “viver a vida” de 1962 godard cria ensaios de choque de imagens, até “adeus a linguagem”, 2014, e “guerras de mentira”, o derradeiro (que não tem disponível por aí).

em “nossa música”, 2004, godard discorre sobre campo e contracampo: a história oficial é o campo, a ficção. a realidade, o documentário. contracampo.

e “c’est pa moi” (não sou eu) é documentário sobre imagens, bem massa.