
Na linha resistência anônima:
” A HIDDEN LIFE “
Terrence Malick apresentou em 2019 sua visão sobre a história de um homem que se recusou a se aliar ao nazismo.
Malick é antes de cineasta, especialista na filosofia de Heidegger, caracterizada pela noção de ser no mundo.
Diz a lenda que Hannah Arendt apresentou Malick a Heidegger, nos anos 70,
Com quatro décadas e dez filmes, em “A Hidden Life” o estilo existencialista do diretor chega num ápice. A câmera fluída é entrecortada por pensamentos.
O pensamento como figura do solilóquio não é exclusivo de um protagonista. Como vemos em “Além da Linha Vermelha” (1998) a noção de ser é compartilhada.
Em “Novo Mundo” (2006) a alegoria de Pocahontas confronta a impossibilidade do “ser-existente” como uma visão totalitária. Se a natureza é um enigma, só assim se pode ilustrar as relações sociais.
Dessa forma o cinema de Malick chegou num crescendo de aplicar esse enigma como ponto de partida de cada cena.
Chegou a limites de pensamento fiolosófico da vida micro e macroscópica (“Árvore da Vida”, 2011), e cenas com atores completamente improvisadas (“Cavaleiro de Copas”, 2015).
O que levou a críticas sobre a impossibilidade de dirigir cenas com dramas reais, pé no chão.
Em “A Vida Oculta” o estilo que foi ensaiado em outros filmes parece encontrar propósito narrativo, de forma vertiginosa, sobre a história de um cara que se recusou a se alistar no exército nazista.
As linhas de força em cada cena puxam nosso olhar para um quase-abismo.
Uma força que não foi exclusiva da década de 30, uma força que tem por trás um ódio, a morte, a intolerância, que está aqui hoje puxando a todos em sociedade.
E para essa força não nos levar para o abismo tem que resistir.
Assista por poucos dias na linha:
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Sobre a fotografia de “A Hidden Life”:
Jörg Widmer é especialista em steadcam, tendo feito a câmera em “Amélie Poulain”, de Jeunot, “A Fita Branca” e “Amour” de Haneke, “Pina 3D” de Wim Wenders, “Um Bom Ano” do Ridley Scott, “Escafandro e a Borboleta” de Schnabel, “Bastardos Inglórios” de Tarantino, “Perfume” de Tykwer, “V de Vingança” das irmãs Wachowski, “Guerra Civil” dos Vingadores, entre outros.
Como diretor de fotografia assinou filmes para TV, e parece encontrar seu grande trabalho com Malick. É um prazer indescritível assistir dois mestres no auge da direção.
`Para assistir numa tela gigante se possível.