Blog · 3 de outubro de 2021

Tropos Corporation

The Spit Take. The Meet-Cute. The Jump Scare. The Montage Sequence.


“Attack of the Hollywood Clichés!” é documentário da Netflix que apresenta TROPOS mais comuns do cinemão.
Tropos ou tropes em inglês nada mais são que figuras de linguagem.

Não usamos aqui no Brasil muito a palavra “Tropos”. (no doc da Netflix é traduzido tropo como “padrão”).


mesmo porque nosso imaginário de cinema é baseado em clichês.


é muito legal esse documentário pra atualizar alguns termos, e perceber que o próprio formato do documentário é um disfarce para se falar de diversidade na indústria de cinema.


o filme começa com uma frase ótima:
– “Hi, unlinke you, I’m Rob Lowe, and I love movies.”


o clichê mais legal de todos do cinema, prá mim, é o Wilhelm Scream, que foi e é usado em mais de 500 filmes. é aquele -Waaahhh de um cowboy caindo do trem, ou um stormtrooper alvejado em Star Wars.


a ironia do documentário é tão grande que atrizes grandes como a Florence Pugh (de Midsommar) e Andie MacDowell (linda de cabelos brancos) falam atuando o texto.


pra quem perceber o subtexto é um doc-hyperlink. poderia ter feito dois capítulos de uma hora só com Robert Englund, o Freddy Krueger, falando de filmes de horror, e como mudou o perfil das protagonistas.


Anna Bogutskaya é uma crítica de cinema que parece ser a única voz genuína das entrevistas.


um dos clichês mais reproduzidos, que até aparece em filme brasileiro, é o saco de compras de papel com pão baguete e alface.


e a janela com a torre eifell quando é um filme que se passa em Paris, poderia ilustrar tb com o Cristo quando é filme no Rio.


são clichês que deram forma ao grande cinema comercial de Hollywood, e que são reproduzidos no cinema contemporâneo que tenta reproduzir novela estilo Netflix, ao invés de incorporar gêneros narrativos, ou seja, tropos de linguagem.


e agora que caiu a ficha a rivalidade do americano com o cinema francês, eles ainda usam de clichê pra falar sobre a nouvelle vague em tom pitoresco.


em oposição à análise fílmica de Jacques Aumont, e do excelente “Lendo as imagens do cinema” de Laurent Jullier e Michel Marie, em Hollywood se chama “montage” o que os franceses chamam de “mickeymousing”.


eu pensava que poderia se chamar de “clipagem”, ou “cut-pieces” aquele tipo de sequência por exemplo do treinamento de Rocky Balboa.


aquele ritmo de sequência rápida e geralmente musical que tem em Grande Dragão Branco com o Van Damme, ou em Flashdance de Adrian Lyne, que mostra a passagem do tempo, os americanos chamam de “Montage” assim em francês e associam à teoria da montagem metáforica do Eiseinstein.


pra mim, sempre e em qualquer filme, tudo é montagem. mas parece que fica mais claro agora a diferença de edição e montagem.


o cinema brasileiro teve não sei de onde a influência de termos em francês com inglês técnico.


não sei como é na análise fílmica, mas entender clichê é o primeiro passo pra quem quer entender cinema. porque cinema todo mundo entende, só é diferente o nível de leitura e as condições de quem quer fazer.


a propósito Rob Lowe sendo ele mesmo um clichê que ri de si mesmo, tá em uma das cenas que acho mais interessante em Austin Powers com amigos esperando John Smith para uma festa de aniversário, mas John Smith foi decapitado por um tubarão maligno de Dr. Evil…


mas ninguém se engana, o documentário parece descontruidão mas é uma reafirmação de poder da indústria de cinem americano